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As mulheres são melhores em multitarefa do que os homens ou é apenas um estereótipo?

Apesar do estereótipo generalizado de que as mulheres são melhores em multitarefa, a investigação tem mostrado apenas pequenas e inconsistentes diferenças entre sexos, colocando em causa a existência de diferenças relevantes neste domínio.

Data: Jul 10, 2026

Investigação simula o desempenho de multitarefa da vida real para analisar possíveis diferenças entre homens e mulheres. Na coordenação de cinco diferentes tarefas, os homens ignoraram a tarefa de conversação mais do dobro das vezes do que as mulheres, apresentando, no entanto, um desempenho semelhante ao delas em todas as outras tarefas.

A multitarefa, definida como a capacidade de realizar várias tarefas em simultâneo ou alternar entre elas, tornou-se uma característica central da vida moderna, estando presente em contextos como a condução, o trabalho, as tarefas domésticas e até o lazer. Apesar do estereótipo generalizado de que as mulheres são melhores em multitarefa, a investigação tem mostrado apenas pequenas e inconsistentes diferenças entre sexos, colocando em causa a existência de diferenças relevantes neste domínio.

Foi neste contexto que, com o apoio da Fundação Bial, André e Diana Szameitat (respetivamente da Brunel University of London e da City St George’s, University of London, Reino Unido) desenvolveram um estudo para clarificar a existência de diferenças entre sexos na multitarefa e explorar possíveis explicações para a origem desse estereótipo.

No artigo “Men talk less than women during multitasking”, publicado na revista científica Psychological Research, os investigadores explicam que criaram um paradigma de multitarefa complexo, composto por cinco tarefas concebidas para simular cenários da vida real, que reproduz de forma mais aproximada as exigências do quotidiano do que a maioria dos estudos anteriores.

No primeiro estudo, 41 homens e 37 mulheres realizaram 5 tarefas diferentes: tarefa de seguir uma receita na cozinha; tarefa de procura de números de telefone; tarefa de encontrar número-letra; tarefa de monitorização de palavras numa apresentação de diapositivos; e tarefa de conversação que consistia em responder a uma pergunta (exemplo: “Preferia perder todo o seu dinheiro e bens ou todas as fotografias que alguma vez tirou, e porquê?”) a cada 20 segundos.

No segundo estudo, para testar se esta diferença entre sexos era percetível para terceiros, 160 observadores sem informação prévia visualizaram vídeos dos participantes e avaliaram a sua prestação.

Nas diferentes tarefas, homens e mulheres apresentaram desempenhos semelhantes, com exceção da tarefa de conversação, em que os homens ignoraram mais do dobro das vezes em comparação com as mulheres. Importa sublinhar que, quando respondiam, a qualidade e a rapidez das respostas dos homens não diferiam das respostas das mulheres.

Uma possível explicação sugerida pelos autores é que as mulheres, em média, podem envolver-se mais em comportamento comunicativo em contextos sociais. No entanto, esta hipótese não foi diretamente testada neste estudo e deve ser interpretada com cautela. Estes resultados estão em linha com teorias evolutivas que propõem uma maior propensão das mulheres para o comportamento conversacional.

Quando observadores sem informação prévia assistiram ao desempenho dos participantes, avaliaram os homens como estando menos no controlo da tarefa, com pior desempenho, a fazer menos esforço, menos atentos, menos felizes e a gostar menos da tarefa, em comparação com as mulheres.

Este estudo demonstrou que não existem diferenças gerais entre homens e mulheres na capacidade de multitarefa, mas sim uma diferença específica: durante a multitarefa, os homens tendem a ignorar mais frequentemente a conversação. Mostrou também que esta diferença influencia a forma como as pessoas são avaliadas por outros, podendo levar à perceção de pior desempenho. Isto ajuda a explicar por que razão surgiu e se mantém o estereótipo de que as mulheres são melhores em multitarefa do que os homens.

“Em conjunto, os nossos dados confirmam que não existem diferenças substanciais entre sexos em tarefas cognitivas visuais-manuais, mas que existem diferenças significativas na capacidade de manter uma conversação enquanto se realiza multitarefa”, explica André Szameitat. Trata-se de “uma capacidade altamente relevante no quotidiano e que poderá explicar o desenvolvimento do estereótipo amplamente difundido de que as mulheres são melhores em multitarefa do que os homens”, finaliza o investigador.

Saiba mais sobre o projeto “142/16 - Gender differences in physiological correlates of multitasking” aqui.

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