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Três médicos investigadores portugueses ganham Bolsas de Doutoramento Nuno Grande 2025

Daniela Oliveira, Francisco Almeida e Francisco Vasques-Nóvoa recebem valor total de 75 mil euros para investigação em doenças inflamatórias, neurodegenerativas e cardíacas.

Publicado a May 13, 2026

Três médicos investigadores portugueses foram distinguidos com as Bolsas de Doutoramento Nuno Grande (BDNG), num valor total de 75 mil euros destinado a apoiar trabalhos de investigação em Ciências Fundamentais em Saúde.

Os vencedores da edição de 2025, que recebeu 38 candidaturas, são Daniela Oliveira, Francisco Almeida e Francisco Vasques-Nóvoa, cujos projetos abordam, respetivamente, a ligação entre intestino e inflamação articular, a deteção precoce da doença de Alzheimer e os mecanismos da inflamação cardíaca.

As bolsas serão entregues numa cerimónia que decorre no dia 13 de maio, no edifício Abel Salazar da Universidade do Porto, no âmbito do “Dia do ICBAS”, que celebra os 51 anos do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

Criadas em 2022 pela família de Nuno Grande, pelo ICBAS e pela Fundação Bial, as bolsas homenageiam o médico, investigador, professor fundador do ICBAS e administrador da Fundação Bial, reconhecendo projetos de elevada qualidade científica desenvolvidos por médicos em formação doutoral.

A partir da edição de 2025, as BDNG passam a atribuir três bolsas anuais de 25 mil euros e alargam a sua abrangência a todas as universidades portuguesas, reforçando o posicionamento como uma das principais iniciativas de apoio à formação avançada de médicos investigadores em Portugal. Desta forma, a iniciativa pretende contribuir para a formação de uma nova geração de médicos investigadores, reforçando a ligação entre prática clínica, ensino e investigação científica.

“As BDNG representam um contributo decisivo na diferenciação da formação de jovens médicos nas áreas das Ciências Fundamentais da Saúde, ao incentivar a integração da investigação como parte essencial da sua formação e ao proporcionar também a oportunidade de desenvolver ideias inovadoras, que contribuem para a excelência na docência da medicina e formação das novas gerações”, afirma Henrique Cyrne Carvalho, presidente do júri e diretor do ICBAS.

O presidente do júri sublinha ainda que “os projetos distinguidos refletem bem a diversidade e a relevância clínica da investigação que hoje se faz em Portugal, com enfoque em desafios estruturais como as doenças inflamatórias crónicas, o envelhecimento e as patologias cardiovasculares”.

Desde a sua criação, as BDNG têm distinguido projetos de grande relevância científica, incluindo trabalhos nas áreas da hemato-oncologia, encefalites e doenças autoimunes.

Três projetos para desafios centrais da saúde

Daniela Oliveira, médica reumatologista da ULS de Entre Douro e Vouga e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), onde é também estudante de Doutoramento, foi distinguida pelo projeto “GUT JOINT AXIS STUDY - Gut glycome and intestinal permeability as drivers of the gut-joint axis: impact in the interplay between inflammatory bowel disease and spondyloarthritis”, que será desenvolvido no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S). Este estudo procura aprofundar a relação entre o intestino e a inflamação articular em doentes com espondilartrites, um grupo de doenças reumáticas inflamatórias crónicas frequentemente associado a manifestações extra-articulares, nomeadamente a doença inflamatória intestinal.

A investigação parte de uma hipótese gerada no grupo do i3S de que alterações na barreira intestinal e nos padrões de glicosilação da mucosa intestinal (processos que influenciam a composição do microbioma e a resposta imunitária) podem contribuir para a inflamação articular e para as diferenças na resposta aos tratamentos. O projeto irá combinar dados clínicos de doentes portugueses incluídos no Registo Nacional de Doentes Reumáticos (Reuma.pt) com análises laboratoriais avançadas, incluindo amostras de sangue, fezes, líquido sinovial e biópsias do cólon.

O objetivo é explorar novos mecanismos fisiopatológicos, identificar biomarcadores de gravidade da doença e de resposta terapêutica, contribuindo para estratégias de tratamento mais inovadoras e personalizadas nos doentes com espondilartrite.

Francisco Almeida, médico interno de Neurorradiologia da ULS Santo António e docente do ICBAS e da Escola de Medicina da Universidade do Minho, onde é também estudante de Doutoramento, foi distinguido pelo projeto “Locus coeruleus integrity as an early imaging marker of susceptibility to Alzheimer’s disease and Lewy body pathology”, centrado no desenvolvimento de marcadores imagiológicos precoces para doenças neurodegenerativas, em particular a doença de Alzheimer e a patologia por corpos de Lewy.

A investigação foca-se no locus coeruleus, uma pequena estrutura localizada no tronco cerebral que desempenha um papel importante em vários processos cognitivos e que poderá ser uma das primeiras regiões afetadas por alterações associadas à doença de Alzheimer e a outras formas de demência. Recorrendo a técnicas avançadas de ressonância magnética sensíveis à neuromelanina, o projeto procura avaliar a integridade desta estrutura em fases iniciais da doença.

Num contexto de envelhecimento da população e de aumento esperado da prevalência das demências, esta abordagem poderá contribuir para identificar sinais de suscetibilidade antes de alterações cerebrais mais tardias e menos específicas, como a atrofia, permitindo melhorar o diagnóstico precoce, a estratificação de risco e a compreensão da progressão destas patologias.

Francisco Vasques-Nóvoa, médico da ULS São João e docente da FMUP, onde é também estudante de Doutoramento, foi distinguido pelo projeto “Myocardial Inflammation: The Counterpoint of Intensity and Time”, que propõe uma nova forma de compreender a inflamação no coração, considerando dois eixos fundamentais: a intensidade da resposta inflamatória e a sua duração ao longo do tempo.

O projeto parte da ideia de que respostas inflamatórias intensas e de curta duração podem estar associadas à disfunção cardíaca aguda, como acontece em contexto de choque séptico, enquanto respostas persistentes de baixa intensidade podem contribuir para alterações estruturais do miocárdio, fibrose e aumento da rigidez cardíaca, relevantes em formas de insuficiência cardíaca.

A investigação irá integrar modelos clínicos e experimentais, análise molecular e técnicas avançadas de ressonância magnética cardíaca para caracterizar melhor diferentes padrões de inflamação miocárdica. O objetivo é criar uma base mais precisa para distinguir fenótipos de doença, melhorar a estratificação de risco e apoiar decisões terapêuticas mais dirigidas.

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