Que papel tem a informação não consciente na avaliação de decisões?
Estudo analisa atividade cerebral de 35 participantes e conclui que a informação subconsciente não só influencia a tomada de decisão, como também desencadeia um processo metacognitivo com características próprias.
Publicado a Jul 9, 2026
Durante muito tempo, assumiu‑se que a metacognição (a capacidade de refletir sobre decisões) dependia do acesso consciente à informação. No entanto, estudos recentes sugerem que o cérebro pode continuar a monitorizar e avaliar decisões mesmo quando não temos consciência dos estímulos que as originam.
Num estudo liderado por Liang Shan, 35 participantes realizaram tarefas com decisões ativas (quando escolhiam) e passivas (quando apenas observavam), enquanto eram expostos a estímulos visuais conscientes, subconscientes ou ausentes. A atividade cerebral foi registada por EEG e analisada com técnicas avançadas de análise multivariada (MVPA), sensíveis à deteção de padrões neurais subtis.
Os resultados revelam um primeiro dado surpreendente: embora o comportamento dos participantes não distinguisse estímulos subconscientes de situações sem estímulos, o cérebro fazia essa distinção. A análise tradicional de sinais cerebrais (ERPs) não mostrou diferenças significativas entre condições, sugerindo, à primeira vista, que nada de relevante ocorria. No entanto, métodos mais sensíveis de análise multivariada revelaram padrões de atividade distintos associados a estímulos conscientes, subconscientes e à ausência de estímulos.
Mais ainda, os resultados demonstraram que a informação subconsciente não só influencia a tomada de decisão, como também desencadeia um processo metacognitivo com características próprias. Embora envolva regiões semelhantes às ativadas pelos estímulos conscientes, nomeadamente áreas parietais e frontais, este processamento apresenta diferenças na dinâmica temporal e na intensidade dos sinais, sendo mais rápido e robusto quando a decisão era tomada ativamente.
Estes dados sugerem que o cérebro integra e avalia também informação que não chega à perceção consciente, indicando que parte da monitorização das decisões ocorre de forma automática e fora da nossa perceção. O estudo “Subconscious information elicits distinct metacognition following Active Decision-Making” foi publicado na revista científica Biomedical Signal Processing and Control, no âmbito do projeto de investigação 121/18 - Effects of subconscious, nonlocal, and retroactive information on participants’ choice/decision and neural activities, apoiado pela Fundação Bial.
ABSTRACT
Metacognition is often regarded as a sophisticated cognitive process that relies on consciousness. While both conscious and subconscious information impact decision-making, it remains unclear whether subconscious information can elicit post-decision metacognition to the same extent as conscious information. To clarify the post-decision metacognitive process under conscious and subconscious conditions and how they differ between active and passive decisions, 35 volunteers were recruited to participate in an actively making or passively watching decision task under conscious (Con), subconscious (SubCon), and no stimuli (None) conditions that utilized the continuous-flash-suppression paradigm. Brain activities were recorded from all participants using a 64-channel EEG system. In addition to analyzing ERPs, multivariate pattern analysis (MVPA) was employed to perform time-series decoding using the area under the receiver operating characteristic curve (AUC) as an indicator. While ERPs failed to reveal any significant difference, MVPA indicated that the metacognitive processing for SubCon and None differed from Con in the decoding AUCs. Further characterization of decoding metrics validated that SubCon was also different from None, demonstrating distinct metacognitive processing for subconscious information. Additionally, temporal generalization analysis illustrated the diverse neural dynamics among Con, SubCon, and None conditions, as well as between active and passive decisions. Finally, source localization analysis suggested the possible role of the frontal-parietal lobe in discerning post-decision metacognition. These findings demonstrate that subconscious information elicits distinct metacognitive processes post-decision-making, making a significant contribution to our understanding of metacognition.