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Porque percecionamos a raiva de formas diferentes?

Investigadores concluem que os sinais de raiva não são processados de forma uniforme. Pessoas com maior tendência para externalizar a raiva mostraram maior precisão no reconhecimento de expressões zangadas em comparação com expressões de medo.

Publicado a Sep 21, 2026

A raiva está entre as emoções mais facilmente reconhecidas nas expressões faciais humanas. Um rosto zangado pode influenciar rapidamente a forma como interpretamos uma situação social. Mas será que processamos os sinais de raiva da mesma forma em todas as circunstâncias? E poderá a forma como cada pessoa expressa ou reprime a sua raiva influenciar a maneira como reconhece expressões emocionais nos rostos dos outros?

Foi para responder a estas questões que a equipa liderada por Liliana Capitão realizou um estudo com 60 adultos saudáveis. Os participantes completaram duas tarefas de processamento emocional: uma avaliava a capacidade de reconhecer conscientemente expressões faciais e outra avaliava quanto tempo demoravam diferentes expressões faciais a tornar-se visíveis para os participantes, depois de terem sido inicialmente ocultadas por outros estímulos visuais. Os investigadores avaliaram ainda diferentes estilos de expressão da raiva, incluindo a tendência para a exteriorizar ou para a suprimir.

Os resultados revelaram um padrão distinto consoante a tarefa. Quando os participantes observavam rostos visíveis e tinham de identificar a emoção expressa, os rostos zangados eram reconhecidos com maior precisão do que os rostos de medo. Contudo, quando as expressões faciais eram inicialmente ocultadas por outros estímulos visuais, os rostos de medo tornavam-se visíveis mais rapidamente do que os rostos zangados.

O estudo mostrou também que as diferenças individuais são importantes. Pessoas com maior tendência para externalizar a raiva mostraram maior precisão no reconhecimento de expressões zangadas em comparação com expressões de medo. Já pessoas com maior tendência para reprimir ou guardar a raiva apercebiam-se mais lentamente de expressões zangadas do que de expressões de medo ou neutras. Em outras palavras, a forma habitual de gerir a raiva parece influenciar a maneira como os sinais emocionais são processados.

Os investigadores concluem que os sinais de raiva não são processados de forma uniforme. Embora os rostos zangados sejam mais facilmente identificados, não são necessariamente os primeiros a tornar-se percetíveis quando a perceção visual é dificultada. Além disso, os estilos pessoais de expressão e regulação da raiva parecem moldar estes processos.

O estudo The anger you see and the anger you don’t: awareness and expression styles in facial emotion processing, publicado na revista científica Cognition and Emotion, foi desenvolvido no âmbito do projeto 277/22 - Anger in the mind and body: From unconscious cognitive mechanisms to psychophysiological and neural substrates, apoiado pela Fundação Bial.

ABSTRACT

Anger signals interpersonal threat, yet little is known about how anger-related cues are processed under different task demands or how this relates to individual differences in anger expression. This study examined associations between subjective anger – across trait and anger-expression dimensions – and performance on tasks assessing conscious emotion recognition and breakthrough to visual awareness under interocular suppression. Sixty participants completed the Facial Expression Recognition Task (FERT) and a Continuous Flash Suppression (CFS) paradigm, alongside the State–Trait Anger Expression Inventory (STAXI). At the group level, results revealed a dissociation between tasks: angry faces were recognised more accurately than fearful faces in the FERT, whereas angry faces were slower to enter visual awareness than fearful faces under CFS. At the level of individual differences, externalised anger was associated with higher accuracy in recognising angry facial expressions relative to fear, whereas internalised anger was associated with relatively slower access to awareness of angry faces compared with fearful and neutral faces under suppression. These findings suggest that internalised and externalised anger-expression tendencies are differentially associated with performance on tasks measuring conscious recognition and breakthrough to visual awareness under suppression, underscoring the need for frameworks that integrate task demands with individual differences in anger regulation.

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